"limpe suas lentes"
Apenas mais uma vaca roxa
Se você está lendo isso, é porque minimamente compartilha de uma paixão comigo: a intersecção entre jogos, tecnologia, design, educação e a necessidade de criar experiências significativas. Tenho pensado muito em voltar a escrever sobre essa forma de conectar o mundo que me move para frente.
Assim como o Vaca Roxa, esse projeto nasceu do meu desejo de criar um local para partilhar conhecimento, explorar novas ideias e, sobretudo, inspirar você. Uma das coisas mais fodas que descobri no meu trajeto é que ampliar os horizontes de alguém é tão importante quanto ensinar novas habilidades técnicas (hardskills).
Por que isso? Por que agora?
A ideia dessa newsletter nasceu bem lá atrás, mas somente agora estou rompendo a inércia de sentar a bunda na cadeira, botar um timer e escrever. Penso que esse boom de inteligência artificial me fez crer ainda mais que o futuro é humano e colaborativo; longe de ser sobre o imediatismo e a rapidez das coisas.
Gostaria que esse espaço fosse um puxadinho da minha cosmovisão e da comunidade do vaca roxa que venho construindo ao longo dos últimos anos. Aberto para novas interações e troca de ideias.

O que esperar dessa tal newsletter?
- desafios da patenidade;
- ensaio dos meus últimos 10 dias antes da publicação;
- insights sobre o processo de criação de jogos;
- discussões sobre design, tecnologia e o impacto da IA;
- dicas e ferramentas que tenho usado;
- provocações filosóficas que eu não tenho respostas;
- indicação de livros ou coisas que tou lendo no momento;
- curadoria de conteúdos de procedência duvidosa.
então vamos lá…
Um pouco da minha semana
Consertando o mundo (sim, esse é o nome da reunião no meet)
Tenho mantido uma agenda semanal de uma hora às quartas com Marlon e o Matheus (sei que provavelmente não os conhecem, mas vou manter assim como se todos aqui se conhecessem) para falar da vida, dos projetos que tocamos juntos e desabafar um pouco também.
SPOILER: Estamos na fase de pré-produção de um novo jogo com fortes referências ao Rio de Janeiro e à contravenção. A reunião dessa semana foi muito maneira e fechamos o conceito do jogo! (mas por hora vou censurar o conteúdo na imagem)

Pergunte-me qualquer coisa
Evento que rola toda terça no discord do vaca roxa. A ideia do PQC é ter um espaço na comunidade para trocar uma ideia honesta e sincera, valendo qualquer tipo de pergunta e debate — preferencialmente relacionadas ao design e desenvolvimento de jogos. Essa semana foi mais breve e intimista, pois eu ainda estava me recuperando de uma virose forte (me derrubou legal). Falamos principalmente sobre como terminar nossos jogos, manter a motivação e gestão do tempo.
Blast Austin Major de CS
Gastei um tempo também assistindo ao Major de CS nesse feriadão, e a Vitality foi bicampeã batendo a The MongolZ na grande final. Que time! Eles estão ganhando tudo mesmo. E o Major foi massa para o Brasil também. A paiN, FURIA, MIBR e Legacy representaram bem demais. A gente chegou até as semifinais dos playoffs, e ficou aquela sensação de que dava para ir mais longe. Mas foi uma baita história para o nosso cenário de e-sport.

A saber, o Major de CS é tipo a copa do mundo.
Coisas que li, pensei e tomei nota esses dias
Assoe o próprio nariz (202506050535)
Saber viver em sociedade é uma habilidade subestimada e cada vez menos praticada. Acredito piamente que o futuro é colaborativo, porém não podemos permitir abusos — nem dos outros, nem da nossa boa vontade. Esta reflexão nasce da gestão de responsabilidades. Mais adiante no texto, passo pelo tema de pedir ajuda, mas aqui o foco é no aspecto oposto: que nos empenhemos para resolver nossos próprios BOs.
A dinâmica deveria ser de assumir e honrar nossos compromissos enquanto pudermos, evitando terceirizá-los para outras pessoas. É preciso ter consciência de que, em algum momento, precisaremos de ajuda — ora por limitação física ora por alguma deficiência ou bloqueio mental. Por isso, enquanto tivermos capacidade, devemos trabalhar nossa autonomia com responsabilidade.
Tijolo por tijolo (202506090610)
Qual é a minha estrela-guia? Aonde quero chegar? O que eu estou disposto a fazer para alcançar isso? O que eu preciso para chegar lá?
Para construir qualquer coisa, precisamos de um objetivo, metas e requisitos. É necessário ter um processo (mesmo que não seja bem estruturado) e um plano — nosso mapa do tesouro. Inevitavelmente, esse plano inicial falhará, mas falhas nos permitem aprender, corrigir e desenvolver um plano melhor. Para alcançar o sucesso, devemos manter o foco no processo, respeitar cada etapa e nunca perder de vista nosso objetivo.
Para um processo enxuto e eficiente, precisamos quebrar o objetivo em partes menores e acionáveis. É mais inteligente vencer uma etapa por vez, parece óbvio, mas tendemos a pensar demais no todo. E o todo é sempre mais assustador que suas partes.
Algumas perguntas que me ajudam no planejamento:
- Qual o objetivo do meu ano?
- Como posso vencer o meu trimestre?
- Qual a meta desse mês?
- Qual o critério de sucesso da minha semana?
- Que tarefas/atividades posso fazer para zerar o dia de hoje?
É um bom roteiro para estabelecer metas de curto, médio e longo prazo, mas não se cobre muito. Mais importante que bater metas e ser super produtivo é a nossa saúde mental. Pega leve, só não empurra muita coisa para o eu do futuro.
Não piore as coisas (202506110530)
Grosso modo, trata-se da importância de ter lucidez em meio ao caos.
Se estive em um buraco, pare de cavar.
Controlar nosso ímpeto inicial de descontrole é tão fundamental quanto difícil. Quando agimos por impulso, estamos cavando e nos debatendo dentro do buraco.
Aqui está, portanto, a simples tarefa: APENAS NÃO PIORE AS COISAS.
Pare um pouco, respire e, se possível, se distancie um pouco dos problemas para ter clareza a respeito da situação. É importante que em situações complicadas não adicionemos raiva ou emoções negativas na equação. Não reagir por reagir. Saiba que em algumas situações o melhor a se fazer é deixar o universo decantar a poeira. Pare de cavar.
Por fim, jogue luz sobre a situação e planeje a saída. Inicialmente não existe plano certo ou errado (lembra?), pois só chegaremos nessa conclusão depois que o plano virar ação. Busque bons motivos para a ação, planeje os objetivos e como serão alcançados. O essencial é ter um plano.

Uma mente treinada é melhor que qualquer roteiro (202506120540)
Um roteiro geralmente é um trilho que nos ajuda a percorrer o caminho em determinadas situações. E estamos cheios deles, como planos (que já falamos tanto até aqui), protocolos, scripts etc. Para situações padrão ou de baixa complexidade, eles tendem a funcionar muito bem; na verdade, são feitos para serem eficientes e eficazes.
Mas e se o roteiro planejado para alcançar um objetivo falhar ou surgir um obstáculo aparentemente intransponível? A vida não é uma experiência linear ou determinística. Imprevistos surgirão durante a execução dos nossos roteiros — é inevitável. Nesses cenários de imprevisibilidade, uma mente bem treinada se destaca. Não necessariamente pela inteligência, mas pela capacidade de se adaptar ao novo contexto, avaliar a situação com lucidez e replanejar suas ações.
É, em certa medida, como uma meditação. Essa mente bem treinada, quando percebe que determinada situação está saindo do controle, ela para, respira e automaticamente recalcula a rota a fim de ter clareza a respeito do novo problema, confrontando-o com o seu repertório para tricotar uma solução.
Não é vergonhoso pedir ajuda (202506160548)
Uma das poucas certezas que tenho na vida é que se estou onde estou é porque eu tive muita ajuda; familiares, amigos, colegas de trabalho, conhecidos etc.
Porém, ainda assim tenho muita dificuldade em pedir ajuda, seja no âmbito profissional ou pessoal. Tenho um perfil peculiar (talvez pelo TEA ou outros traumas) de querer fazer tudo sozinho. Estou melhorando, mas minha dificuldade de socialização ainda me sabota bastante — às vezes penso em pedir ajuda e me perco imaginando tantos cenários possíveis que acabo paralisado, não fazendo nada e, consequentemente, não pedindo a ajuda que precisava.
O primeiro passo já foi dado: entender as minhas fragilidades. Pedir ajuda é sobre isso. Sei também que o mundo e o sistema são assustadores, mas eu não estou sozinho. Talvez cansado, mas tenho pessoas incríveis ao meu lado.
Tenho dito constantemente para mim: "Eu vou pedir ajuda!"
Preparado e ativo (202506180545)
O que quer que aconteça hoje, que nos encontre preparados e ativos. É até fácil se preparar para algo que já sabemos que irá acontecer, porém mesmo assim sempre existe uma probabilidade de não ocorrer como o previsto (já falei disso aqui também) — e precisamos estar preparados; parece paradoxal.
Mas pensa comigo, de que adianta passar o cavalo selado se você não sabe ao menos montar; costumo falar isso a respeito das oportunidades que a vida nos proporciona, muito porque se não estamos minimamente preparados ou disponíveis (ativos) de nada adianta tal circunstância favorável.
Portanto, eu procuro me preparar bastante nas áreas do conhecimento que tenho interesse — muito estudo, trabalho focado e prática ativa.
Uma vez ouvi o Flávio Canto (o ex-judoca, medalhista olímpico) falar uma coisa sobre treinos que reflete muito essa ideia: "A medalha se ganha no treino, na competição só vamos buscá-la" (ou algo similar rs). Quando perguntado sobre a rotina de treino dele, destacou que o treino precisa ser mais desafiador que o mundo real. Desse modo, quando você se deparar com uma situação, ainda que inesperada, você estará minimamente pronto para lidar adequadamente e com clareza.
Como é o seu treino?
Curadoria de conteúdos duvidosos
Lista não exaustiva de conteúdos que esbarrei, gostei e me fez refletir nesses últimos 10 dias. Tem um pouco de tudo e muito caos.

Artigos
What AI Is Really Doing to Games and the Game Industry
O futuro dos jogos não é sobre velocidade. É sobre ética, intencionalidade e pertencimento.
As the game industry cuts back, accessibility is feeling the impact
Após anos de crescimento, a turbulência no setor deixou a comunidade de acessibilidade paralisada.
Vídeos
Podcasts
Músicas
Jogos

Livros
Acabei de ler essa semana, é um livro muito bom e cativante (principalmente do meio para o fim), tem uma narrativa interessante sobre escolhas e uma proposta que faz refletir sobre os caminhos diferentes que poderíamos ter trilhado na nossa vida. Se você gosta de ficção especulativa, diferentes realidades e muito "E se…", esse livro é um prato cheio; e apesar das 300 e poucas páginas, é uma leitura bem fluida e tranquila.

Se for comprar, usa o link do pai que ajuda também na monetização desse conteúdo e na motivação de continuar → Link para comprar o livro “A Biblioteca da Meia-Noite”.
Essa newsletter acaba por aqui, o resto é com você.
Seguimos.

Obrigado por ler este conteúdo Vaca Roxa! Inscreva-se gratuitamente para receber novas postagens e apoiar meu trabalho.